Desde a criação do projeto de extensão universitária OnlineBioinfo em 2018, uma de nossas missões era atrair talentos para Bioinformática. Nessa empreitada, um dos desafios é apoiar em uma das grandes dificuldades de quem inicia na Bioinformática. Como aprender a área complementar á sua área de formação?

Quem é formado em computação e áreas afins busca o que aprender da biologia, que é uma área muito ampla. Já os formados em biologia e áreas afins buscam um embasamento computacional que lhe permita executar análises sofisticadas.
Para esse segundo grupo, pela minha formação e experiência, posso sugerir um percurso bem definido que permita a aquisição de sólidos conhecimentos na área de computação.
Desde 2017, trabalhamos no desenvolvimento desse percurso, no estudo sobre EAD e no desenho de um curso e preparação de material didático. Ainda não haviam muitas iniciativas desse tipo na UFMG e nenhuma no Departamento de Ciência da Computação. Fomos pioneiros nessa empreitada que levou quase dois anos. Fico feliz em perceber que outros colegas também criaram seus cursos de extensão a distância desde então.
Em 2019, abrimos matrícula para primeira turma do curso de Introdução a Computação para Bioinformática. Desde então formamos mais de 1.000 alunos. Tem sido uma experiência muito gratificante ver novas oportunidades de carreira se abrirem para os estudantes.

Sou muito grata pelos alunos que já tive no curso, pelos seus valiosos feedbacks que nos permitiram evoluir o curso e torná-lo uma referência nacional no ensino de computação para Bioinformática.
No ano passado, decidimos contar a nossa história de aprendizados com este projeto e submeter para a edição da Revista da UFMG. Ficamos muito honrados que nosso artigo tenha sido um dos seis selecionados para a a edição cujo tema é A universidade e os novos tempos.
Foram mais 1.000 alunos formados no nosso curso provenientes de mais de 40 cursos diferentes! Foram muitos aprendizados ao executar todo o processo de produção do curso desde o design instrucional, elaboração de materiais didáticos, roteirização, edição, divulgação, acompanhamento e avaliação de resultados. É muito trabalhoso e tentamos nos aprimorar a cada dia nas diversas etapas do processo. Em breve, esperamos poder contar mais sobre como estamos fazendo essa etapa de avaliação usando inteligência artificial.

Neste artigo, contamos sobre o processo de produção e avaliação inicial com os alunos. Esperamos que essa experiência possa ser útil e inspirar colegas que desejem buscar conhecimento sobre didática, produção de cursos e materiais didáticos e sobre o ensino a distância.
Se quiser saber mais sobre o nosso trabalho e estudos sobre ensino a distância, leia nosso artigo (de Melo-Minardi e Bastos, 2021) ou assista nosso vídeo no qual contamos mais detalhes.
Para os colegas docentes interessados em adquirir um maior embasamento em design instrucional e produção de conteúdos para EAD (e mesmo conteúdo digital para cursos presenciais) segue uma lista de referências riquíssimas sobre o assunto que selecionamos nos últimos anos. Não deixe de compartilhar conosco suas experiências e outras referências interessantes. Vamos adorar trocar experiências!
Referências
de Melo-Minardi, Raquel Cardoso, and Luana Luiza Bastos. “Expandindo as paredes da sala de aula: aprendizados com o ensino a distância e ensino remoto emergencial.” Revista da Universidade Federal de Minas Gerais 28.1 (2021): 106-125.
Filatro, Aandrea Cristina, and Sabrina M. Cairo Bilieski. Produção de conteúdos educacionais. Saraiva Educação SA, 2017.
Kenski, Vani Moreira. Design instrucional para cursos on-line. Editora Senac São Paulo, 2015.
Filatro, Andrea. Design instrucional 4.0. Saraiva Educação SA, 2019.
Bento, Dalvaci. A produção do material didático para EaD. Cengage Learning, 2016.
Filatro, Andrea. Como preparar conteúdos para EAD. Saraiva Educação SA, 2018.
Field, Syd. Manual do roteiro. Editora Objetiva, 2001.
Alves, Flora. Design de aprendizagem com uso de canvas. DVS Editora, 2016.
Alves, Flora. Gamification: como criar experiências de aprendizagem engajadoras. DVS editora, 2015.
Filatro, Aandrea Cristina. Design thinking na educação presencial, a distância e corporativa. Saraiva Educação SA.
Filatro, Andrea. Data Science na Educação: presencial, a distância e corporativa. Saraiva Educação SA, 2020.
Pode parecer incrível, mas todo esse conhecimento está muito distante da realidade dos alunos. Sei que seu curso é da mais alta qualidade, mas somente depois de biologia molecular na faculdade é que comecei a compreender. Tantos termos que simplesmente não conhecemos! Acredito que em breve volte a fazer o mesmo curso, porque agora ele faz todo sentido!
Até breve!
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Prezada Carla, obrigada pelo seu feedback. Você se refere ao curso de Introdução a Computação para Bioinformática? Entendo. Na realidade, ele não tem nenhum pré-requisito e não é preciso entender de biologia molecular. O enfoque e no ensino de programação e outros fundamentos computacionais para quem quer trabalhar com Bioinformática. Mas, de toda forma, conhecimentos de Biologia molecular são importantes/essenciais para quem vai trabalhar com Bioinformática. Obrigada mais uma vez pelo seu comentário.
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