Semana 5 – Lendo outros tipos de trabalhos científicos

Minha quinta semana não foi muito produtiva em termos de leituras de artigos. Entretanto isso aconteceu pois tive uma grande carga de compromissos relativos á avaliação de trabalhos de pós-graduação. Como estive em duas bancas de qualificação, dediquei um tempo considerável avaliando esses trabalhos. É bem mais complicado ler um trabalho científico para avaliação do que simplesmente ler para tomar conhecimento.

Enfim, lendo esses textos tive um insight que gostaria de compartilhar com vocês. Apesar de nosso desafio de leitura ser, inicialmente, focado na leitura de artigos, acredito que a leitura de trabalhos de conclusão também seja válida e bastante útil dependendo do contexto de estudos em que você se encontre.

Minha sugestão é que se você esta no mestrado, pode criar o hábito de ler dissertações de mestrado. Se pretende aplicar para o doutorado, deve criar o hábito ler teses de doutorado. É um hábito interessante principalmente se você passar a observar o formato e as características de cada capítulo ou seção. Observe como o texto é organizado, tente perceber a função de cada parágrafo, como o autor encadeia as ideias e alinhava seus argumentos. É um exercício bem interessante que se pode fazer e que certamente lhe ajudarão a escrever melhor o seu próprio trabalho.

Outro exercício interessante é comparar o estilo dos trabalhos do seu nível de estudos com o do próximo nível. Por exemplo, se você está fazendo o seu TCC e pretende ingressar no mestrado, note como os TCCs são escritos e as diferenças das dissertações na mesma área. Qual a diferença do teor destes dois tipos de trabalho? O que se espera de cada um deles? Qual o tamanho do texto? Que capítulos eles costumam apresentar? Faça isso e compare dissertações e teses. Pode ser uma prática bastante esclarecedora.

Eu me lembro bem da dificuldade que tive ao passar da escrita da minha tese de doutorado para a escrita de um projeto para concurso público de docente de magistério superior. Apenas para lhes dar um exemplo, um projeto de doutorado deve ter um objetivo claro, ligado a uma questão científica, idealmente inédito, de um projeto que venha a produzir pelo menos um artigo cientifico nos próximos quatro anos. Já um projeto para concurso precisa ter várias linhas de pesquisa que possivelmente irão se desdobrar em diversas teses e dissertações. Esse projeto deve ser ambicioso, mas viável, e deve abordar algumas questões de pesquisa interessantes e relevantes para a área de conhecimento. Percebem como os trabalhos vão ganhando mais conteúdo e complexidade a medida que subimos de nível na carreira científica?

Sugestão de tese de doutorado de Alicia Higueruelo no Darwin College da Universidade de Cambridge.

Minha sugestão de hoje para vocês é que escolham uma tese ou dissertação de alguém conhecido, pode ser seu orientador, um colega de curso, alguém da sua área cuja defesa você assitiu e leia seu trabalho observando não apenas os detalhes técnicos como também a forma e a construção do trabalho.

Deixo para vocês uma sugestão de tese na área de Bioinformática Estrutural, caso seja sua área de interesse. É uma tese de doutorado sobre interações e reconhecimento molecular defendida no Darwin College da Universidade de Cambridge. Ótimo conteúdo e o formato.

Espero que tenha sido útil pessoal. Deixem nos comentários sugestões de conteúdos sobre leitura científica Vocês tem conseguido ler mais? Quais os maiores desafios?

Publicado por OnlineBioinfo Bioinformática

Meu nome é Raquel Minardi, sou bacharel em Ciência da Computação e doutora em Bioinformática. Sou professora do Departamento de Ciência da Computação da UFMG desde 2010, membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências (ABC), vice-coordenadora do Programa de Pós-graduação em Bioinformática da UFMG, coordenadora da rede BaBEL de Bioinformática aplicada a Biotecnologia, vice-coordenadora do comitê especial de Biologia Computacional da Sociedade Brasileira de Computação (SBC) e secretaria da diretoria regional centro-sudeste da Associação Brasileira de Bioinformática e Biologia Computacional (AB3C). Sou fascinada pela área de Bioinformática e pela possibilidade de desenvolver modelos e algoritmos para suporte a resolução de problemas tão desafiadores quanto os que envolvem a biologia e biotecnologia. Também amo ensinar e desenvolver conteúdos para ensino a distância.

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